Celebrar Zeca

Celebrar Zeca

Nos 30 anos da morte

Nos 30 anos do desaparecimento do músico e poeta José Afonso, vários eventos evocam o legado do autor de Grândola Vila Morena.

Os passos na gravilha pressagiavam a libertação. Na Rádio Renascença, ao início da madrugada de 25 de abril de 1974, Grândola, Vila Morena surgia como segunda senha de confirmação para o avanço dos militares que haveriam de pôr termo à ditadura. A escolha terá surgido algumas semanas antes, quando alguns militares assistiam a um raro concerto de José Afonso (1929-1987) no Coliseu dos Recreios.O “Zeca”, esse autor “de cantares logo adaptados pelo povo, por estarem de acordo com a sua maneira de pensar e de sentir”, como diz Manuel Simões, era já um símbolo da resistência e a voz que fazia soar a urgência da liberdade.

Para trás ficava uma vida de “andarilho”, passada entre Aveiro, cidade natal; Angola e Moçambique, onde passou parte da infância; ou Coimbra, a cidade onde estudou e se fez trovador, envergando a Capa Negra que, como cantava o amigo Adriano, era “bandeira de liberdade”. Enquanto professor de liceu, permanentemente acossado pelas suas posições políticas e ideológicas, acabou por percorrer Portugal de lés a lés. Não será estranho, por isso, que a sua obra musical incorpore uma modernidade que soa ao desejo de um mundo novo e as tradições populares, verbais e sonoras, sejam elas alentejanas, beirãs ou africanas. Uma universalidade que marca indelevelmente toda a musica popular portuguesa e faz de “Zeca” um dos mais importantes compositores do século XX. O homem genial a quem Rui Mendes chamou “pregoeiro da brisa da madrugada, de pulso livre e coração descoberto.”

30 anos passados sobre o seu desaparecimento (23 de fevereiro de 1987), a Associação José Afonso promove, a nível nacional, vários eventos evocativos do músico e poeta, e na Torre do Tombo, a partir de 23 de fevereiro, está patente uma mostra documental que inclui alguns poemas e canções, fotografias e discos em vinil, aliando documentos em suporte original e em suporte digital.

[texto de Frederico Bernardino]
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  • Destaques em Lisboa

​TRIBUTO A JOSÉ AFONSO
com Carlos Alberto Moniz, Francisco Naia, Rui Freire e outros.
Academia de Santo Amaro (Alcantara) | 23 de fevereiro, às 22h - Entrada Livre

JOSÉ AFONSO E AS PALAVRAS
com Júlia Lello e os músicos Marta Ramos e João Parreira. 
Associação José Afonso (Rua de S. Bento, 170) | 23 de fevereiro, às 19h - Entrada livre

NA RUA ANTÓNIO MARIA/ DA PRIMAZ INSTITUIÇÃO/ ... MAS ELES CONCEIÇÃO VÃO
Mostra documental.
Torre do Tombo | 23 de fevereiro a 21 de março | Segunda a sexta, das 9h30 às 19h30; sábados, das 9h30 às 12h30 - Entrada livre

NÃO ME OBRIGUEM A VIR PARA A RUA GRITAR
Visionamento do documentário e conversa com os músicos Rogério Charraz e Luanda Cosetti.
Junta de Freguesia de Alcântara | 2 de março, às 18h - Entrada livre

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Memórias de Zeca Afonso (1929 – 1987)

Artes › Exposições › Bibliográfica / Documental
23 fev a 21 mar/17
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