Gomes Freire de Andrade

Gomes Freire de Andrade

Itinerário evocativo do bicentenário da morte

Por ocasião do bicentenário da sua morte e 260.º aniversário do seu nascimento, os Itinerários de Lisboa prepararam um percurso que recorda Gomes Freire de Andrade (1757-1817), precursor do liberalismo, militar distinto, defensor da pátria, herói esquecido e injustiçado.

Modelado pelo escultor Francisco Simões, e inaugurado em outubro de 2003, para celebrar os 200 anos do Grande Oriente Lusitano, do qual foi Grão-Mestre, o busto em bronze de Gomes de Freire, na rua que tem o seu nome, é o ponto de partida para esta viagem. Símbolo de justiça, o compasso, bem como o chão de xadrez, ilustrativo da oposição dos contrários, do bem e do mal, são elementos maçónicos presentes no monumento. Consta que o general se terá iniciado na Maçonaria antes de 1785.

Filho de Ambrósio Pereira Freire de Andrade, embaixador representante de Portugal na corte austríaca, e de Maria Anna Elisabeth, Condessa Schaffgotsch e Baronesa von und zu Kynast und Greiffenstein, Gomes Freire nasceu e viveu em Viena até 1780, tendo recebido a educação que na época se costumava dar aos filhos da nobreza. Chega a Lisboa com 24 anos, já com o Grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Destinado à carreira militar, serviu na Armada Real, embarcando em 1784 na esquadra que foi auxiliar as forças navais espanholas no bombardeamento de Argel. Quatro anos volvidos, depois de ter obtido licença para servir como voluntário no exército de Catarina II, em guerra contra a Turquia, partiu para a Rússia. Serviu, ainda, entre outros, no Exército Prussiano de 1792 a 1793. Ao longo da sua carreira, foi-se sempre distinguindo pelos atos heroicos e conquistando as maiores simpatias, tendo inclusivamente sido condecorado por Catarina da Rússia.

Não obstante, por um lado a sua valentia e prestígio, por outro o carater opinativo, levaram a que criasse inimigos, dos quais importa destacar o primo, Miguel Pereira Forjaz, apontado como principal instigador da conspiração que conduziu à sua morte. A par do primo, também Principal Sousa Coutinho e o marechal William Carr Beresford fizeram parte desta falsa conspiração.

Corria o ano de 1817 quando, sem nunca se ter provado a sua culpabilidade, Gomes Freire de Andrade acabou por ser preso e enforcado, sem um julgamento sério, em S. Julião da Barra. Consta que terá pedido para ser fuzilado, pedido que lhe foi recusado, tendo inclusivamente sido queimado e lançado à água. Por este suposto crime de traição à pátria, foram ainda julgados e enforcados, no atual Campo dos Mártires da Pátria, 11 companheiros de Gomes Freire. Carregado de história, é neste local, junto à placa evocativa do acontecimento, que termina o itinerário.

Mas há ainda muito mais para conhecer sobre a história e percurso de Gomes Freire. O seu itinerário realiza-se nos dias 4, 12, 21 e 25 de outubro, e nos meses seguintes em datas a anunciar.

[texto de Sara Simões | fotografias de Francisco Levita]

  • Marcação prévia e informações: T.218 170 742 | lisboa.cultural@cm-lisboa.pt
  • Preço: 3,69€ (bilhete simples) e 6,15€ (bilhete duplo)

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