Ingmar Bergman de regresso ao Nimas

Ingmar Bergman de regresso ao Nimas

Parte essencial da incontornável filmografia de Ingmar Bergman é, uma vez mais, revisitada no Espaço Nimas a partir de 17 de agosto, e até 13 de setembro. Trata-se de um reencontro com 23 títulos assinados pelo grande cineasta sueco, destacando-se as exibidas em versões restauradas: A Prisão, Um Verão de Amor, Mónica e o desejo, Sorrisos de uma noite de verão, O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Persona - A Máscara, Cenas da Vida Conjugal, Sonata de Outono e Fanny e Alexandre.

Ingmar Bergman é, por muitos, considerado o mais importante e influente cineasta do pós-guerra. Homem de teatro, transpõe para o cinema a tradição dramatúrgica nórdica de Ibsen e Strinberg. A sua obra, profunda e de grande sobriedade formal, entre a luz e as trevas, assume duas vertentes temáticas essenciais: a meditação filosófica sobre a angústia de um mundo que se interroga sobre Deus, o Bem e o Mal e o sentido da existência, e a análise lúcida e, por vezes, cáustica sobre a incomunicabilidade no seio do casal, na qual revela uma íntima cumplicidade com o universo feminino.

Na sua filmografia, de forte teor confessional, servida por dois notáveis operadores de câmara, Gunnar Fisher e Sven Nykvist, cria um ambiente quase familiar expresso na relação de fidelidade que manteve, ao longo dos anos, com uma notável troupe de atores (Gunnar Björnstrand, Erland Josephson, Max Von Sydow) e de atrizes (Eva Dahlbeck, Harriet Andersson, Ingrid Thulin, Bibi Andersson, Liv Ullman) reconhecíveis de filme para filme e celebrizados mundialmente.

O seu amor pelo trabalho dos atores é, aliás, revelado sem rodeios na sua autobiografia Lanterna Mágica (ed. Relógio D’Água, 2012): “Dirigir um filme é um trabalho que, em si, encerra um erotismo enorme. É o facto de estarmos, sem retraimentos, tão perto dos atores numa entrega total, reciproca. Depois a intimidade, a dedicação, a dependência, a ternura, a confiança, a fé no olho mágico da câmara (…) a respiração do próprio ar, os momentos vividos de triunfo e de fracasso são coisas que contribuem para criar uma atmosfera carregada de sexualidade a que não nos podemos furtar. Foram precisos muitos anos até eu, por fim, reconhecer que, um dia, a câmara deixaria de trabalhar e que os holofotes se apagariam.”

A câmara de Bergman deixou de trabalhar e os holofotes já se apagaram, mas enquanto houver cinema, ou for celebrada a memória da sétima arte, o grande mestre sueco continuará a jogar xadrez com a morte.

[texto de Luís Almeida D´Eça]

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Cinema › Ciclos
17 ago a 13 set/17
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