Junqueira Palaciana

Junqueira Palaciana

Os palácios da Rua da Junqueira

  • O Palácio Burnay é um dos mais majestosos edifícios da Rua da Junqueira
     O Palácio Burnay é um dos mais majestosos edifícios da Rua da Junqueira
  • O Palacete Pessanha Valada  é um exemplo da arquitetura palaciana pós-terramoto
     O Palacete Pessanha Valada é um exemplo da arquitetura palaciana pós-terramoto
  • A Cordoaria Nacional vista da Avenida da India
     A Cordoaria Nacional vista da Avenida da India
  • O Palácio do Marquês de Angeja é hoje a Biblioteca Municipal de Belém
     O Palácio do Marquês de Angeja é hoje a Biblioteca Municipal de Belém

Em meados do século XVIII, o caminho que ligava a Calçada de Santo Amaro e a Calçada da Ajuda, paralelo ao rio, recebe o nome de Junqueira. Recuperava-se assim uma denominação que remonta ao reinado de D. Dinis, quando esta zona dos juncais é legada a D. Urraca Pais, abadessa do mosteiro de Odivelas. Consta que, a partir de 1701, um descendente da família dos Saldanha, presidente do Senado da Câmara de Lisboa decide aflorar os terrenos, iniciando-se assim um processo de urbanização que, pela localização privilegiada seduz algumas famílias fidalgas que iniciam, na Rua da Junqueira, a construção dos seus palácios de veraneio.

Após o terramoto de 1755, a rua afasta-se das águas plácidas da foz do Tejo devido aos aterros que vão permitindo a construção a sul. Menos sedutora que nesses tempos idos, mais ainda assim triunfal no fausto das fachadas dos seus palácios, convidamo-lo a percorrer, no âmbito dos Itinerários de Lisboa (iniciativa da Direção Municipal de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa) alguns dos lugares com história da Rua da Junqueira.
 
Palácio dos Condes da Ribeira Grande
Sobrevivendo à grande tragédia de 1755, o edifício mandado erguer por D. Francisco Baltasar da Gama, e mais tarde adquirido pelos Marqueses e Condes da Ribeira Grande, é um dos maiores palácios barrocos da cidade. Ao longo do século XX, foi colégio particular e, mais tarde, após aquisição pelo Estado, liceu. Lamentavelmente, esta peça única da Lisboa pré-terramoto, berço do ilustre poeta e dramaturgo D. João Gonçalves Zarco da Câmara, encontra-se em avançado estado de degradação desde o fecho da Escola Secundária Rainha D. Amélia.
 
Palácio Burnay
Classificado como Imóvel de Interesse Público, aquele que é também conhecido como Palácio dos Patriarcas – foi residência oficial de verão dos patriarcas de Lisboa –, deve o nome ao banqueiro Henrique de Burnay que o adquire a D. Sebastião de Burbom, filho da mais jovem descendente de D. João VI. Burnay projeta no imóvel todo o seu prestigio social e personaliza-o com intervenções de alguns dos melhores artistas da época, como Ordoñes, Rodrigues Pita e Malhoa. No século XX, foi a casa do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
 
Palácio dos Condes da Ponte
Mandado erigir pelos Condes da Ponte no século XVIII, o palacete foi propriedade da família Posser até 1950, altura em que ai se instalou a Administração do Porto de Lisboa. Longe da opulência e grandiosidade do Burnay ou do dos Condes da Ribeira Grande, o imóvel destaca-se pela disposição simétrica das suas janelas, de peito as do piso térreo, de sacada as dos pisos superiores. No interior encontram-se um painel de azulejos de Jorge Colaço e duas composições da Fábrica Viúva Lamego. Na escadaria principal, estão instalados dois vitrais Arte Nova.
 
Palacete Pessanha Valada
O imóvel reflete bem a tendência palaciana do pós-terramoto, caracterizada por uma harmoniosa simetria comum às suas três fachadas. Mandado construir por D. João da Silva Pessanha, consorte de D. Francisca de Noronha, filha dos Condes de Peniche, o palacete destaca-se pelas varandas gradeadas a ferro forjado com desenhos do século XVIII e pelos medalhões de azulejos com cenas campestres, datados de 1920 e assinados por A. Quaresma. Durante o século XIX, foi morada do segundo Marquês de Valada, oficial-mor da casa Real.
 
Palácio da Ega
Situado na Calçada da Boa-Hora, o palácio que pertenceu ao Conde da Ega, descendente da família Saldanha, terá sido erigido originalmente no século XVI, sendo o primeiro imóvel relevante desta zona ocidental de Lisboa. O atual edifício distingue-se pelo Salão Pompeia, classificado como Imóvel de Interesse Público, onde figuram painéis de azulejos alusivos aos portos da Europa. A história do palácio está marcada pela simpatia dos Ega pelos franceses e pelas festas ocorridas durante a ocupação francesa. Segundo rezam as más-línguas, a Condessa da Ega amantizou-se com Junot, valendo-lhe na boca do povo o epiteto de “a Égua do Junot”. 
 
Quinta das Águias ou Corte-Real
O magnífico alpendre, com uma belíssima colunata, pode ainda ser avistado por entre arbustos e silvas que consomem o jardim junto ao arruamento. Mandado construir em 1731 pelo fidalgo Diogo Mendonça Corte-Real, secretário de Estado de D. José, o avançado estado de ruina não oculta a beleza deste palácio barroco que se destacava pelos painéis de azulejos, infelizmente, já desaparecidos. Antes de ser votada ao abandono, a quinta pertenceu a Fausto Lopo Patrício de Carvalho que empreendeu vários melhoramentos no imóvel, recorrendo para isso aos serviços dos arquitetos Vasco Regaleira e Jorge Segurado.
 
Cordoaria Nacional
Deve-se ao Marquês de Pombal a iniciativa de construir na Junqueira uma grande oficina de cordame. Mas, o monumental edifício a sul da rua, projetado por Reinaldo Manuel dos Santos, foi mais do que uma fábrica de cordas. Ali se manufaturou praticamente tudo o que estava ligado à arte da navegação, de velas a bandeiras. Da sua traça arquitetónica, praticamente despojada de decoração, destacam-se os portais centrais das fachadas norte e sul, com emolduramento de cantaria, animada por janela de avental e verga curva, e com emolduramento e verga em arco abatido, respetivamente.
 
Casa Nobre Lázaro Leitão Aranha
Mandado construir no século XVIII por Lázaro Leitão, um lente da Universidade de Coimbra, segundo projeto de Carlos Mardel, o palácio onde hoje está sedeada a Universidade Lusíada foi remodelado segundo influência pombalina após o terramoto. A fachada, dividida em vários panos simétricos, ostenta um mais simples, com remate alteado e curvo, e possui dois corpos torreados laterais, mais elevados a imitar os pagodes. Possui, no extremo direito do edifício, uma pequena capela com dois sublimes painéis de azulejos no interior. O imóvel foi sendo transformado ao longo dos anos por destacados arquitetos, como o suíço Ernesto Korrodi e o português Raul Lino.
 
Palácio do Marquês de Angeja
Depois de ter visto o seu palácio no centro da cidade arrasado pelo devastador terramoto de 1 de novembro de 1755, D. Pedro José de Noronha, Marquês de Angeja, viu a Coroa ceder-lhe uns terrenos perto de Belém onde antes se situava o Forte de São Pedro. Ali, o estadista, que pouca simpatia nutria pelo Marquês de Pombal – é dele a expressão que se tornou popular “mal por mal antes Pombal” –, ergueu um palácio que, para além de residência, era um museu repleto de curiosidades, no mínimo exóticas. Desde os anos 60 do século passado, o imóvel é património municipal e ai se situa a Biblioteca de Belém.

[textos de Frederico Bernardino; fotografias de Francisco Levita]

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NOVAS DATAS: O itinerário guiado decorre a 22 de fevereiro e 27 de maio de 2017.
Marcação prévia e informações: T.218 170 900 |
lisboa.cultural@cm-lisboa.pt
Preço: 3,69€ (bilhete simples) e 6,15€ (bilhete duplo)

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