Lisboa 2017, Capital Ibero-americana de Cultura

Lisboa 2017, Capital Ibero-americana de Cultura

Passado e Presente

  • A equatoriana Mariela Condo é uma das vozes de 'Canções para uma Festa'
     A equatoriana Mariela Condo é uma das vozes de 'Canções para uma Festa'

Em 2017, Lisboa é a Capital Ibero-americana de Cultura. Ao longo dos próximos meses são mais de 150 as iniciativas que convidam à descoberta deste imenso e diverso "arquipélago".

A festa começa a 7 de janeiro, com a inauguiração da exposição do artista mexicano Démian Flores, Al final del Paraíso, o concerto Canções para uma Festa, com Gisela João (Portugal), Mariela Condo (Peru) e Yomira John (Panamá), a apresentação de uma muito especial emissão filatélica, comemorativa e preparada pelos CTT, e um fecho de noite dançado, ao som do DJ La Flama Blanca (Portugal), num ambiente criado pelo artista plástico Pedro Valdez Cardoso (Portugal).

Em três questões, o coordenador geral da programação, António Pinto Ribeiro, explica o que significa para Lisboa ser a Capital Ibero-americana de Cultura no ano que agora começa. 

  • O que vai ser a Capital Ibero-americana da Cultura em Lisboa?
  • As capitais anteriores de que há alguma informação têm sido maioritariamente organizadas a partir das ofertas de espetáculos, exposições, concertos disponibilizados pelos governos autárquicos ou nacionais dos países do universo ibero-americano. No caso de Lisboa redigiu-se uma carta programática com um conceito que aborda o passado e o presente das relações existentes neste universo ibero-americano e estabeleceram-se quatro linhas programáticas que darão coerência e organicidade à programação.
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  • Que desafios/problemáticas a heterogeneidade dos territórios envolvidos coloca a um programador?
  • Tratou-se de num curto espaço de tempo “montar” uma programação anual que envolveu artistas, programadores, produtores, universidades dos países da América Latina, Espanha, Andorra e Portugal, ao mesmo tempo que se estabeleceram formas de funcionamento e de colaboração entre os equipamentos culturais da CML e de outros equipamentos da cidade de Lisboa que entretanto aderiram a este projeto. Tratou- se no fundo de fazer uma negociação cultural em que todos os envolvidos são corresponsáveis pela programação.
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  • Que relevância têm estes eventos para a cidade?
  • A expectativa é que esta programação contribua para diferenciar Lisboa cultural de outras cidades europeias e que esta diferenciação passe por assumir que a uma capital ibero-americana pode ser um momento especial para a produção de conhecimento crítico num ambiente festivo e em que a diversidade é também uma mais-valia. 

E são eleitos quatro eixos de programação.

  • Questão Indígena. A questão indígena inicia-se no momento em que Colombo se encontra com os índios ocidentais. Da relação inicial que é um misto de fascínio com manifestação de poder se passaria pouco tempo depois a uma situação em que os índios perdem os direitos de cidadania. A questão atravessa cinco séculos e está hoje presente nas questões de direito, nas manifestações artísticas, na produção de conhecimentos diversos de que vamos dar uma conta substantiva.
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  • Afrodescendentes. Embora consequência da barbárie que foi a escravatura dos africanos, não se imagina o que seriam as Américas sem a presença dos africanos e dos afrodescendentes. Na verdade eles estão presentes nas famílias, na cultura visual, nos ritos, na produção textual, dos dois lados do Atlântico. Aos afrodescendentes deve a Europa parte da sua grandeza e aos latino-americanos uma vertente fundamental do que são identitariamente.
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  • Migrações. Entre os dois lados do Atlântico decorreram, ao longo de séculos, viagens de ida e volta entre os países. As migrações europeias nas Américas e latino-americanas correspondem a força de trabalho, influências de práticas culturais, mecanismos de hibridação de que, tal como em relação aos afrodescendentes – a Europa e as Américas são devedoras.
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  • Pensamento e criação contemporânea. A enorme diversidade que constitui o universo ibero-americano não obsta a que afirmemos que muito do que é o pensamento e a criação artística contemporânea é proveniente da América Latina e muitos dos seus autores são hoje incontornáveis na cena mundial. 

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