A Lisboa de D. Amélia de Orleães

A Lisboa de D. Amélia de Orleães

Itinerários de Lisboa 2016/17

  • A Praça do Comércio onde ocorre o acontecimento mais determinante na vida da última rainha de Portugal
     A Praça do Comércio onde ocorre o acontecimento mais determinante na vida da última rainha de Portugal
  • O Chafariz e a Igreja de São Paulo integram o itinerário
     O Chafariz e a Igreja de São Paulo integram o itinerário

D. Amélia de Orleães foi a última rainha de Portugal e é figura principal no novo Itinerário de Lisboa. Um percurso com início no Largo de Camões que nos leva numa viagem que começa em 1865, ano do seu nascimento. A vida de D. Amélia foi marcada pela tragédia , tendo nascido e morrido no exílio. Assistiu ao assassinato do marido e do filho, ao fim da monarquia e resistiu à ocupação nazi em França, eventos que marcaram indelevelmente a sua personalidade. Não obstante, nunca se resignou. A curiosidade pela ciência e medicina, levaram-na numa luta pela erradicação dos males da sua época, como a pobreza ou a tuberculose, tendo adotado a esperança como lema de vida.

Eis alguns dos locais da Lisboa de D. Amélia que integram o itinerário: 

  • Leitão & Irmão Joalheiros
  • Largo do Chiado 16 e 17
  • A 1 de dezembro de 1887, D. Luís atribuiu à casa Leitão & Irmão o título de Joalheiros da Coroa. As joias oferecidas pela família real portuguesa a D. Amélia por ocasião do seu casamento com D. Carlos, futuro rei de Portugal, foram aí criadas. De entre o conjunto de joias que recebeu, destaca-se o diadema de diamantes usado posteriormente, em 1995, por D. Isabel de Herédia aquando do seu casamento com D. Duarte de Bragança.
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  • São Luiz Teatro Municipal
  • Rua António Maria Cardoso, 38
  • Em terrenos pertencentes à Casa de Bragança, D.Carlos e D. Amélia inauguram a 22 de maio de 1894, no mesmo dia em que haviam casado, o Teatro Dona Amélia. Na sequência da mudança de regime, a 5 de outubro de 1910, o edíficio recebe o nome de Teatro da República. Em 1918, em homenagem ao visconde de São Luiz de Braga, grande impulsionador do teatro, passa a chamar-se Teatro São Luiz. 
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  • Igreja das Chagas
  • Rua das Chagas
  • Dedicada aos marinheiros, foi construída em 1542 por iniciativa de Frei Diogo de Lisboa, religioso que instituiu a Confraria das Chagas de Cristo. Destruída pelo Terramoto de 1755, foi reedificada em estilo setecentista, traduzido numa modesta arquitetura. No interior destaca-se o quadro de devoção ao padroeiro e advogado dos mareantes, Santelmo.  Em 1892, e sob o alto patrocínio da rainha, é inaugurado o Instituto de Socorros a Náufragos, organismo humanitário responsável pelo salvamento de vidas humanas nas áreas marítimas e fluviais de Portugal.
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  • Chafariz e Igreja de São Paulo
  • Largo de São Paulo
  • Ligado ao abastecimento de água da cidade, uma das bicas do Chafariz de São Paulo estava destinada aos marinheiros. Corria o ano de 1829 quando foi descoberta uma nascente de águas na zona do Terreiro do Paço, que se verificou terem propriedades medicinais. No entanto, em outubro de 1892 aparece em Lisboa uma epidemia aparentemente causada pelas águas. Pioneiro da bacteriologia em Portugal, Câmara Pestana foi o escolhido para conduzir a análise das águas de Lisboa, prosseguindo assim a luta da rainha contra doenças como o tifo, a difteria, a raiva e a tuberculose.
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  • Assistência Nacional aos Tuberculosos
  • Av. 24 de Julho, 2L
  • Provavelmente a obra mais sonhada por D. Amélia. Primeira instituição oficial portuguesa criada no âmbito da tuberculose, a Assistência Nacional aos Tuberculosos surge em 1899 por iniciativa da rainha. Em 1901, o médico e biólogo francês Albert Calmette, criador da vacina BCG, funda em França o primeiro dispensário antituberculose, tendo sido na mesmo ano  aberto o de Lisboa. É atualmente sede da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde.
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  • Praça do Comércio
  • Foi nesta praça que ocorreu o regicídio que marcou profundamente a História de Portugal e ditou o fim da última tentativa de reforma da Monarquia Constitucional. Regressados de Vila Viçosa, o rei, a rainha e o príncipe herdeiro chegam ao Terreiro do Paço. Quando a carruagem circula junto ao lado ocidental da praça ocorre o atentado que mata o rei e o seu filho. A par das imagens de pânico e horror, fica a imagem de D. Amélia, de pé, indiferente ao perigo, tentando demover os assassinos com um ramo de flores. ‘‘Fico de pé na história“, terá proferido a rainha. 

Os itinerários comentados realizam-se a 26 de janeiro (com a participação de Isabel Stilwell, autora de D. Amélia. A rainha exilada que deixou o coração em Portugal), 16 de março, 4 de maio e 29 de junho de 2017.
Informações e marcações: T. 218 170 742 ou lisboa.cultural@cm-lisboa.pt

[por Sara Simões | fotografias de Humberto Mouco - CML/ACL]

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