Os Velhos do Jardim

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'Crise no Parque Eduardo VII´ encerra celebração dos 45 anos da Comuna

  • Igor Sampaio e Carlos Paulo protagonizam...
     Igor Sampaio e Carlos Paulo protagonizam...
  • ... a versão de João Mota de 'I'm not Rappaport', de Herb Gardner...
     ... a versão de João Mota de 'I'm not Rappaport', de Herb Gardner...
  • ... uma tragicomédia sobre a velhice e a vida na sociedade atual...
     ... uma tragicomédia sobre a velhice e a vida na sociedade atual...
  • ... que assinala os 45 anos da Comuna
     ... que assinala os 45 anos da Comuna

“Uma comédia às costas da tragédia que é também uma tragédia vestida de comédia”. João Mota adapta e dirige a peça premiada de Herb Gardner I’m not Rappaport, e oferece a Carlos Paulo e Igor Sampaio interpretações inesquecíveis. Crise no Parque Eduardo VII estreia a 26 de outubro, no Teatro da Comuna.
 
Para encerrar as comemorações dos 45 anos da Comuna-Teatro de Pesquisa, João Mota decidiu voltar a um projeto antigo, uma peça que, em Portugal, chegou a ser encenada, já em meados deste século, pelos Bonifrates, de João Maria André. “Cheguei a ter na cabeça os atores que iriam protagonizar: o Rui Mendes e o Ruy de Carvalho. Mas, a dada altura achei que o texto era demasiado americano para o meu gosto pessoal”, refere.
 
Assim se justifica, anos depois, que o encenador tenha procedido a uma adaptação de fundo do texto de Eu não sou Rappaport de Herb Gardner. “Pela primeira vez, dei datas de nascimento às personagens”, para assim “permitir espelhar todo um conjunto de eventos da nossa história recente.”
 
A ação salta do Central Park, em Nova Iorque, para o Parque Eduardo VII, em Lisboa, e os protagonistas, João Bernardo (Carlos Paulo) e Hugo Valter (Igor Sampaio), tornam-se dois velhos bem portugueses, dividindo um banco de jardim na capital. Hugo é porteiro no número 21 da Rua Rodrigo da Fonseca, e sabe de antemão que os condóminos do prédio pretendem descartá-lo o quanto antes. João é um velho comunista que, mestre na dissimulação, continua a manter a fé suficiente na sua convicção de mudar o mundo.
 

  • Os velhos são fantasmas,
  • são gente que ficou até tarde
  • para estragar a festa.”
  • Herb Gardner
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Se a idade pesa no modo como Hugo olha em redor – “os velhos são fantasmas, são gente que ficou até tarde para estragar a festa”, diz –, João é o resiliente que se reconhece como sobrevivente “numa sociedade em que impera a lei de Darwin”. Lutando contra um mundo que os renega, os dois velhos são, nas palavras de João Maria André, como “D. Quixote e Sancho Pança, nas suas tensões, na sua complementaridade, no seu jogo perante o mundo, nas contradições de que se faz o seu e o nosso carrocel da vida”. O que significa que, como diz João Mota, “não podem viver um sem o outro.”
 
Então, dessa solidão partilhada no banco de jardim, entre picardias e pequenos conflitos, os dois velhos vão-se debatendo com “pedaços da cidade” que emergem representados por outros personagens: Daniel (Hugo Franco), o administrador do prédio onde Hugo é porteiro; Clarisse (Maria Ana Filipe), uma ex-toxicodependente que sonha ser artista; “Black” (Miguel Sermão), um traficante de droga; Diogo (Gonçalo Botelho), um marginal que vai extorquindo os velhos do jardim em troca de proteção; e Catarina Eufémia (Elsa Galvão), a filha de João Bernardo com nome de heroína comunista, que só pensa proteger o pai de si mesmo, tentando convencê-lo a entrar num lar de idosos.
 
Da comédia à tragédia, e vice-versa, num único espetáculo, Crise no Parque Eduardo VII fica em cena na Comuna até 17 de dezembro.

[texto de Frederico Bernardino | fotografias de Humberto Mouco/CML-ACL]

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Teatro › Espetáculos
26 out a 17 dez/17
Praça de Espanha
1070-024 Lisboa

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