Quando a palavra povoa o ‘Silêncio’

Quando a palavra povoa o ‘Silêncio’

Nova edição do Festival Silêncio este fim de semana

  • ´Nuvens', de Diana Coelho, exposição na Verso Branco, Rua da Boavista 132
     ´Nuvens', de Diana Coelho, exposição na Verso Branco, Rua da Boavista 132

Quatro dias para celebrar a palavra na zona do Cais do Sodré. Festival multidisciplinar, o Silêncio decorre de 28 de setembro a 1 de outubro, com música, cinema, performances, conversas, exposições e oficinas.
 
“Queremos as pessoas na rua a celebrar o poder transformador da palavra”; este é o desafio de Gonçalo Riscado, atual diretor do Festival Silêncio que, nesta edição, destaca a obra de Maria Gabriela Llansol. A escritora lisboeta de ascendência catalã, falecida em 2008, e de quem Eduardo Lourenço adivinhou vir a tornar-se o próximo grande mito literário da literatura portuguesa, é a protagonista do Ciclo Autor, com curadoria de João Barrento e Maria Etelvina Santos.
 
Neste ciclo dedicado à escritora destacam-se leituras e conversas em torno da obra, um concerto da pianista Vera Prokic, com peças de Johann Sebastian Bach (compositor que Llansol tanto admirava e tanto convocou nos seus textos) [Bach Luz do Barroco, realiza-se no Piano Aquário, dia 30, às 19h30]; uma performance de Miguel Bonneville [O Principio de ­­­­­­______, dia 29, às 19h, na Rua da Boavista, 9]; e uma exposição de obras de Ilda David, Teresa Huertas, Augusto Belo ou Rui Chafes que dialogam com a força imagética da escrita da autora [Cenas Fulgor está patente, de 28 de setembro a 15 de outubro, no número 9 da Rua da Boavista].
 
Outro dos grandes destaques do festival é o Ciclo Palavra, este ano dedicado à Voz. Trata-se de “um programa que desafia e reflete sobre a polissemia da palavra”, entendendo a voz enquanto expressão de urgência pessoal, coletiva, artística, social e política. Do programa, destaca-se a grande maratona de poesia na rua que abre o festival [na Rua Nova do Carvalho (Palco da Rua Cor de Rosa), dia 28, a partir das 17h30].
 
O cinema tem também um lugar de destaque, com os filmes a regressarem ao bar O Bom, O Mau e o Vilão pela mão da plataforma online Filmin. A Tribo, de Myroslav Slaboshpytskyi (dia 28, 19h30); O Eclipse, de Michelangelo Antonioni (dia 29, 19h30); Ruínas, de Manuel Mozos (dia 30, 19h30); e as Curtas em Silêncio, que incluem filmes de João Salavisa, Nicolas Provost, Sandro Aguilar e Lois Patiño (1 de outubro, 19h30), constituem este pequeno ciclo.
 
Como nota final, o Festival Silêncio encerra no domingo, às 21 horas, com Água e Sal,  um espetáculo onde Capicua seleciona e adapta textos de vários autores, e Pedro Geraldes musica a partir de uma base eletrónica e com guitarras ao vivo. O concerto ocorre no Jardim Dom Luís, em frente ao Mercado da Ribeira.
 
[por Frederico Bernardino]

  • Leia a entrevista conjunta do diretor do festival, Gonçalo Riscado, e da coordenadora de programação, Marta Gamito, na edição impressa da Agenda Cultural de Lisboa.

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