Reflexos na Arte

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'Do outro lado do espelho' na Fundação Calouste Gulbenkian

  • Ambrose McEvoy (Wiltshire, 1878 – Londres, 1927). «O Brinco»
     Ambrose McEvoy (Wiltshire, 1878 – Londres, 1927). «O Brinco»
  • Jorge Varanda (Luanda, 1953 – Lisboa, 2008). Sem título, 1990.
     Jorge Varanda (Luanda, 1953 – Lisboa, 2008). Sem título, 1990.
  • Justus Juncker (Mainz, 1703 – Frankfurt, 1767) «Toilette da manhã [Bei der Morgentoilette]», 1752.
     Justus Juncker (Mainz, 1703 – Frankfurt, 1767) «Toilette da manhã [Bei der Morgentoilette]», 1752.
  • Daniel Blaufuks (Lisboa, 1963). «Mão com Espelho», 2010
     Daniel Blaufuks (Lisboa, 1963). «Mão com Espelho», 2010
  • Paula Rego (Lisboa, 1935). «Preparando-se para o Baile», 2001-2002. Série Jane Eyre.
     Paula Rego (Lisboa, 1935). «Preparando-se para o Baile», 2001-2002. Série Jane Eyre.

Do outro lado do espelho é uma mostra coletiva temática, que tem Alice Liddell, a personagem criada por Lewis Carroll (1832-1898), como heroína. A exposição conta com a curadoria de Maria Rosa Figueiredo, em colaboração com Leonor Nazaré, e pode ser visitada, na Fundação Calouste Gulbenkian, até 5 de fevereiro do próximo ano.

As obras apresentadas nesta mostra variam entre pintura, fotografia, vídeo, arte do livro e escultura, e giram todas, sem exceção, em torno do espelho, a que os artistas recorrem com diferentes propósitos, ora para revelar ora para disfarçar aspetos das cenas que representam, já que eles oferecem infinitas possibilidades visuais, incluindo a mais óbvia: o reflexo fiel da realidade.

Composta por 69 peças, um “número espelho”, a exposição encontra-se dividida em cinco núcleos temáticos precedidos por três figuras introdutórias: uma escultura que funciona como convite à visita, uma pintura que introduz o tema da mostra e um espelho-objeto que proporciona ao visitante uma ocasião para se perguntar a si próprio Quem sou eu?

  • «Quem Sou Eu?»: O Espelho Identitário

Com o primeiro núcleo surge a pergunta de difícil resposta, que obriga o visitante a olhar-se ao espelho. Aqui, estão incluídas obras que representam situações de confronto com o espelho quer por parte dos humanos como de alguns animais, e podem ver-se obras de James Abbott McNeill Whistler, George Romney  e Jorge Varanda, entre outros.

  • O Espelho Alegórico

O segundo núcleo é dedicado ao espelho alegórico, onde o objeto é encarado como uma metáfora de vícios e virtudes - da Vaidade à Prudência, do Amor Profano e da Luxúria -, mas também do tempo que passa e que conduz ao envelhecimento e à morte inevitável, tendo sempre a mulher como intérprete. Este espaço recebe peças de Simon Vouet , Jan Sanders van Hemessen  e Ana Vieira, entre outros.

  • A Mulher em Frente ao Espelho: A Projeção do Desejo

As obras presentes no terceiro núcleo abordam a privacidade, o puritanismo, a libertação e a sedução da mulher, como se pode constatar pelas obras Toilette da manhã [Bei der Morgentoilette], de Justus Juncker; O Brinco, de Ambrose McEvoy, e Preparando-se para o Baile, da Série Jane Eyre, de Paula Rego.

  • Espelhos Que Revelam e Espelhos Que Mentem

Neste quarto núcleo, mostram-se artistas capazes de capazes de tecer uma teia intricada de mentiras dentro dos limites das suas telas, que conseguem facilmente distorcer, apagar e manipular a realidade visível, como modo de obter um cenário específico conducente a uma determinada realidade puramente imaginada. As anamorfoses, supostamente inventadas por Leonardo da Vinci e que constituíam um divertimento muito popular nos séculos XVIII e XIX são disto um bom exemplo. Aqui, é possível apreciar trabalhos inspirados na Alice de Do Outro lado do Espelho, nomeadamente uma pintura de Eduardo Luiz e fotografias de Cecília Costa e Noé Sendas.

  • O Espelho Masculino: Autorretratos e Outras Experiências

E porque o espelho na pintura não é exclusivamente utilizado por mulheres, este núcleo apresenta uma curiosa pintura de um local de toilette masculina A Casa de Banho de Jacques-Émile Blanche, de Maurice Lobre, com o ocupante ausente e uma rapariga jovem a abandonar esse espaço de intimidade. Aqui também se pode ver a inesperada pintura de Paula Rego, com um homem vestido de saia de xadrez, recriação do Padre Amaro, do romance de Eça de Queiroz.
 
[por Ana Rita Vaz | fotografia de Humberto Mouco / CML-ACL]

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