antónio trindade

antónio trindade

Eclipse

Artes › Exposições › Pintura
Até 6 jan/18

Seg a sex: 13h-17h30, sáb: 10h-17h30

  • Sleepwalker 
  • The Vice as a Balance 

Eclipse, pela descrição e pela observação, é um fenómeno astronómico que ocorre no movimento de um elemento celeste, onde o Sol e a Lua se projectam coincidentes na retina de um observador qualquer. Existe, portanto, um alinhamento entre o Observador, o Sol e a Lua. Nesse instante, o dia transforma-se em noite, os dias ficam obscurecidos em ocultações de luz temporárias. Em termos de metáfora, ou em termos figurados, o termo Eclipse surge também no obscurecimento, no desvanecimento, ou na perda física de alguém, ou mesmo na perda desse alguém, ou de alguéns. De alguém que partiu para sempre, ou de alguém tornado parcialmente ou totalmente invisível, que pode estar perdido, adormecido, em delírio ou em desespero num vazio profundo, ou em estados de transição, entre a luz e a sombra, entre o dia e a noite, ou, inversamente, entre a noite e o dia. Seres, personagens, figuras surgem ofuscados ou eclipsados, estáticos, em movimento, em cenários vazios, sem arquiteturas, aparentemente sem coordenadas, parecendo deambularem em vácuos de ambientes ambíguos, ora em estados lúcidos, de inconformidade, ora em tensão, ora em sono profundo e ainda em estados sonâmbulos. Há um sentimento de deriva e de perda. Não podemos também ficar indiferentes às calamidades recentemente assistidas com a tragédia dos incêndios e outras que causaram perdas irreparáveis. 

Todas as figuras habitam outros palcos onde o teatro e o cinema são fortes referências, quer pelas encenações, quer pela luz e a sombra. Vem aqui há memória a tradição inglesa e a experiência visual do teatro negro de Praga que tive oportunidade de experienciar há já alguns anos. Neste enfatismo de cenários ambíguos, no prazer da ofuscações e de enigmas, como no mistério da própria vida e da nossa existência, o drama evidencia-se em cenas muito características da nossa condição humana, na relação de uns com os outros, na tensão das nossas vidas contemporâneas, sobretudo nas cidades.

Estas personagens incompletas, fragmentadas, eclipsadas, ambíguas, parcialmente invisíveis, seres mutantes e até apocalípticos, fragilizados, efémeros, tornam visível o espelho da maioria dos seres nas sociedades actuais, parecendo habitar estes ou outros novos mundos. Estruturas e corpos ausentes, ocultados e parcialmente ocultados e presentes confluem em cenários que mostram outras visibilidades, para além dos referentes, em suma, outras estruturas ausentes, utilizando um termo lançado por Umberto Eco há já alguns anos, ou em outras 
invisualidades, utilizando a terminologia recente de Carlos Vidal no seu longo e recente texto da Invisualidade da pintura.

Local

Rua Rosa Araújo, 41
Lisboa

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