Ciclo de conferências A máquina do mundo

Ciclo de conferências A máquina do mundo

Janeiro e fevereiro/17

Ciência, Literatura
A partir de 31 jan/17
  • Jorge Molder, Fotografia da série História Trágico-Marítima, 1992
     Jorge Molder, Fotografia da série História Trágico-Marítima, 1992

Por Maria Filomena Molder.

Foi Camões a inventar em Os Lusíadas a expressão “máquina do mundo”. Ela apresenta-se através do relato profético – cosmorama e geodese, feitos e desastres dos portugueses, o desconhecido que espera os descobridores – de uma deusa ao jovem capitão Vasco da Gama. Quatro séculos mais tarde, Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema em tercinas intitulado precisamente A Máquina do Mundo. Aqui, não há mediações, a máquina entreabre-se numa estrada de minas, pedregosa, ao olhar desalentado do poeta, que a vê fechar-se para não mais. Já no século XXI, Haroldo de Campos compõe também em tercinas, mas rimadas à maneira de Dante, o poema A Máquina do Mundo Repensada, no qual se exercita uma rememoração de Camões, Drummond de Andrade, sob a égide da viagem da Divina Comedia. Regressamos à mediação e ao maravilhamento saturnino. A leitura dos versos dos quatro poetas tem em vista desenhar um inquérito sobre o que seja a máquina do mundo: talvez um nome para o segredo da vida. Pediremos ajuda a outros poetas e também àquilo que alguns filósofos contam (seguindo o preceito de Montaigne: “je n’enseigne pas, je raconte”), e ainda às coisas ouvidas, vistas e lembradas que vêm ter connosco no dia a dia, confiando no acaso sem o qual (de novo Montaigne) nada de nobre se pode fazer. O momento é de perigo – caminhamos na selva oscura de Dante – e talvez seja a hora de um balanço.

PROGRAMA:

  • “ao bravo gama a máquina oferta do mundo”
  • 31 jan: 18h30
  •  
  • "drummond minas pesando não cedeu"
  • 7 fev: 18h30
  •  
  • "dante con trinta e cinco eu com setenta"
  • 14 fev: 18h30
  •  
  • "agora, nós"
  • 21 fev: 18h30

Informações Úteis

Entrada livre.
Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes de cada sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo por pessoa: 2 senhas.

Este ciclo de conferências será transmitido no site www.culturgest.pt
 

Local

Edifício CGD, Rua Arco do Cego, 50, Piso 1
1000-300 Lisboa

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