irene kopelman

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Indexing Water

Artes › Exposições › Desenho, Escultura, Fotografia
14 dez a 17 fev/18

Qui a sáb: 15h-19h

A Kunsthalle Lissabon apresenta Indexing Water, a primeira exposição individual em  Portugal de Irene Kopelman.

Há mais de um ano, quando o João Mourão e o Luís Silva me convidaram para desenvolver um projeto específico para a Kunsthalle Lissabon, pensei que era o momento e o contexto indicados para da início a um processo de investigação sobre uma ideia que me acompanha já há imenso tempo: trabalhar com as cores da água.
 
Há alguns séculos, arte e ciência não eram campos separados, como os conhecemos hoje. Existiam imensos pontos de correlação e coexistência. Como agentes com uma prática no campo das artes estamos bastante familiarizados com os estudos de cor no campo da história da arte, mas os dicionários de cor foram também desenvolvidos no campo das ciências naturais como meios para descrever e comunicar a investigação científica. Em 1831, Charles Darwin levou consigo, abordo do HMS Beagle, um livro cujo nome era A Nomenclatura das Cores. Os cientistas usaram este e outros “dicionários de cor”, antecedentes dos atuais livros de pantones, como referência comum, ao descreverem a aparência dos seus objetos de estudo. Os dicionários de cor foram desenvolvidos para criar um vocabulário comum, nos diferentes pontos do globo, para a descrição das cores de tudo, de rochas e flores a estrelas, de pássaros a selos de correio. Permitiram aos cientistas e naturalistas os meios para a descrição e precisão biológicas que podiam assim ser facilmente ser partilhadas, de modo a que naturalistas em Kalamazoo e na Alemanha pudessem efetivamente comunicar sobre uma família de pássaros encontrada em ambos os lugares. Tipicamente estes dicionários eram constituídos por um conjunto de amostras de cor, e a cada uma era atribuído um nome (usualmente escrito em diferentes línguas para facilitar o uso internacional), um número identificador e também uma descrição mais lírica sobre a cor (“a cor do sangue de um coelho acabado de matar” ou “castanho múmia”).
 
Depois de decidirmos em conjunto avançar com esta pesquisa, contatei o Dr.  Marcel Wernand, um oceanógrafo físico no NIOZ (Royal Netherlands Institute for Sea Research), onde é investigador sénior e cuja pesquisa combina o desenho  e desenvolvimento de instrumentos multi-espectrais para medir as cores do oceano; a variabilidade bio-ótica dos estuários, mares e oceanos e uma monitorização continuada das cores costeiras; alterações da cor do oceano, a longo prazo,em relação às mudanças globais e à história da ciência ótica marítima. Esta particular combinação de linhas de investigação aliada a uma personalidade particular criaram, desde o início, um diálogo extremamente interessante e enriquecedor.
Marcel não era, afinal, apenas um investigador capacitado, mas também um ótimo contador de histórias. A sua pesquisa levou-o um pouco a todo o mundo, a ver muitas águas e a cruzar-se com muitas pessoas. O seu interesse pelo estudo da cor ligou-nos e trouxe vida a toda esta pesquisa.
 
As entrevistas com Marcel tornaram-se elementos centrais do projeto. Continuei a estudar, a ver livros, a ficar mais envolvida no tópico, ao ponto de participar no congresso do Ocean Darkening Project. A quantidade de informação rapidamente se tornou esmagadora e percebi que me constrangia em vez de me inspirar. Percebi então que o mais interessante que tinha em mãos eram as conversas com Marcel. As suas histórias, o espaço mental que toda esta informação criava nos nossos diálogos. Continuar a conversar, gravar as entrevistas, deixar a informação fluir e tirar notas de imagens que se materializavam durante estas conversas. A narrativa das conversas tornou-se o guião para a exposição bem como de um livro de artista que publicaremos depois.
 
Como as conversas eram demasiado abertas, propus a Marcel que usássemos como guia a escala de cores que ele usa nos seus estudos, a escala de Forel-Ule. François-Alphonse Forel (1841 –1912) desenvolveu o método, que três anos depois foi acrescentado pelo limnologista alemão Wilhelm Ule (1861 – 1940). A escala possui 21 cores. Propus a Marcel falar cor a cor. Ele sugeriu agrupa-las. Um dia sobre azuis, um dia sobre verdes, amarelos e castanhos. Dissecar a escala de cores ajudou-me a entender os fatores que afetam a cor da água.

Irene Kopelman
 

Local

Rua José Sobral Cid, 9 E
1900-289 Lisboa

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