O que é o Arquivo?

O que é o Arquivo?

Laboratório 2: Cinema/Arquivo

Cinema › Ciclos
18 a 20 abr/18
  • "A Movi" de Bruce Conner 
  • "Pieces and Love all to Hell" de Dominic Gagnon 
  • "The Pixelated Revolution" de Rabih Mroué 

O ciclo de encontros O que é o Arquivo? é uma iniciativa do Arquivo Municipal de Lisboa que promove, este ano, o debate em torno da relação Cinema/Arquivo. A proposta é explorar e mapear as relações entre o Arquivo e o Cinema, procurando descobrir de que forma as imagens em movimento se relacionam hoje com os seus modos de arquivamento e como isso afeta a prática fílmica. Durante três dias são exibidas obras cinematográficas que permitem a discussão entre criadores, investigadores, programadores e arquivistas. A primeira sessão, Apropriação, diz respeito à apropriação e reciclagem de imagens pré-existentes. A segunda mesa de trabalho, Arqueologia, apresenta a vocação arqueológica como algo indissociável ao impulso arquivístico no cinema. Por fim na última sessão, Programação, é abordada a função disciplinar da programação. Manuel Mozos, Eric de Kuyper, Susana Sousa Dias, Tiago Batista e Nuno Lisboa são algumas das personalidades presentes nas sessões.

Programa:

18 abr
18h00 – 21h00 | MESA DE TRABALHO 1. APROPRIAÇÃO
 
A apropriação e reciclagem de imagens pré-existentes têm obedecido aos mais variados princípios e configurações ao longo da História do Cinema. Dentro destas práticas, o trabalho com o found footage é uma das formas de apropriação mais profícuas pelo modo como assume o fílmico enquanto objecto no seu trabalho crítico sobre as imagens e na exploração das imagens enquanto componente fundamental da experiência, dimensões que não esgotam a multiplicidade dos usos do found footage. Partimos para a discussão com um conjunto de filmes cuja condição varia entre gestos próximos do “ready-made” e práticas de apropriação que justapõem materiais de origem diversa através da montagem, obras do domínio de um cinema sem câmara que apontam ainda para uma metamorfose do found footage conotada com uma transição para um universo digital, no qual as imagens dos "arquivos tradicionais" convivem com as imagens disponibilizadas por toda uma pluralidade de plataformas.
Nesta primeira mesa de trabalho propomos pensar o trabalho de apropriação de imagens confrontando o trabalho desenvolvido nos arquivos do cinema e o trabalho criativo desenvolvido na prática fílmica, uma vez que as “imagens de arquivo” colocam frequentemente questões semelhantes a cineastas e arquivistas – possuem um excesso indexical e uma abertura que conduzem a uma multiplicidade de leituras e significações dependendo dos contextos em que se inserem, que arquivistas procuram classificar, e que cineastas e artistas não cessam de explorar, produzindo com frequência “Contra-Arquivos” que questionam a própria noção de Arquivo.
 
projecção de
Perfect Film, Ken Jacobs, 1986, 22’
A Movie, Bruce Conner, 1958, 12'
You Tube Trilogy, James Benning, 2010, 33'
 
seguida das intervenções de Tiago Baptista, Manuel Mozos, Eric de Kuyper
 
21h30 | Sans Soleil, Chris Marker, 1984, 104’
 
19 abr
18h00 – 21h00 | MESA DE TRABALHO 2. ARQUEOLOGIA
 
O impulso arquivístico no cinema é indissociável da sua vocação arqueológica, ou seja, da sua capacidade de nos elucidar sobre o próprio funcionamento do(s) arquivo(s), no sentido de Michel Foucault. A arqueologia é a disciplina que permite a descrição do arquivo, das regras que definem para o nosso tempo o que é dizível e visível, conservado, apropriado, reactivado, mas também o que fica de fora, o que é excluído. Uma prática arqueológica cinematográfica supõe esta capacidade descritiva do cinema, de pelos seus próprios meios servir para inquirir o arquivo audiovisual contemporâneo, ou seja, as imagens-técnicas, incluindo as do próprio cinema, que articulam o que vemos, pensamos e fazemos, através da montagem. Não se trata, pois, de operar a restituição de uma origem absoluta ou mítica para a qual apontam as imagens na sua relação com o mundo, mas de as deixar insinuarem-se como traços mais ou menos obscuros, de um impensado do seu tempo. Dão-se menos pelo que nelas é imediatamente visível do que pelo que nelas se inscreve de uma legibilidade imperceptível. É a sua suposta proveniência que se trata de interrogar e fazer diferir, como modo de assim interpelar a realidade, a história e o presente, ensaiando formas de criticamente as analisar, recompor, fazer colidir, religar e articular. Esta mesa de trabalho organiza-se em torno da arqueologia enquanto prática fílmica que procura evidenciar a riqueza e singularidade de diversos registos audio-visuais, entendidos como documentos a retrabalhar e reescrever, manifestando os contra-campos ausentes das imagens, para fazer ver coisas que não são mostradas, no limite das imagens. Permite também reflectir sobre a metamorfose funcional das imagens-técnicas contemporâneas, imagens que sugerem a interactividade e possibilidade de agenciamentos nas plataformas online, nomeadamente de ordem política e activista, que urge pensar criticamente face ao seu reverso operacional de controlo e vigilância. 
 
projecção de
Arbeiter verlassen die Fabrik, Harun Farocki, 1995, 36’
The Pixelated Revolution, Rabih Mroué, 2012, 22'
Journal No. 1 - An Artist's Impression, Hito Steyerl, 2007, 21’
 
seguida das intervenções de Susana de Sousa Dias, Christa Blümlinger e Jürgen Bock
 
21h00 Lançamento do livro
O QUE É O ARQUIVO? Laboratório 1: Arte/Arquivo
 
 20 abr
18h00 – 21h00 | MESA DE TRABALHO 3. PROGRAMAÇÃO
 
Se desde logo é determinante para a definição do Arquivo (de qualquer arquivo), não apenas o que está dentro ou fora dele – sendo essa selecção um reflexo das decisões sobre o que pode ou não ser visto e dito –, mas também o contexto produzido com e para os objectos/documentos arquivados, a programação torna-se um problema fundamental para a definição do Arquivo no seu encontro com o Cinema. Enquanto distribuição num espaço, mas também enquanto ordenação no tempo, a programação é uma função (diagramática, para usar o termo de Gilles Deleuze quando lê Foucault) que trabalha para colocar as imagens a funcionar de determinada maneira e num certo sentido, e que assim define, controla, orienta e dirige o que se vê e como. Trabalho que o algoritmo, série de operações que ordena a circulação das imagens em ambientes digitais, veio radicalizar: sequenciação de imagens fundada no estudo, tratamento e processamento de hábitos de consumo, a programação é hoje uma função que cada vez mais opera para prever, encaixar e manter os espectadores/utilizadores nos seus lugares – o que fará com que Jonathan Beller, numa proposta revolucionária, defina o inconsciente como um produto do cinema. Nesta mesa de trabalho propomos observar e discutir a função disciplinar da programação e dar conta das práticas que, pelos meios disponibilizados pelas tecnologias digitais, procuram subverter o princípio programático do Arquivo e do Cinema, práticas que, fazendo a crítica do Arquivo, estão a criar novos e múltiplos arquivos, mais ou menos informais, todos eles radicais.
 
projecção de
Found, Found, Found, Dirk de Bruyn, 2014, 18'
Black Code/Code Noir, Louis Henderson, 2015, 20'
Pieces and Love all to Hell, Dominic Gagnon, 2011, 61'
 
seguida das intervenções de Nuno Lisboa, Inhabitants (vídeo conferência), Lara Baladi (vídeo conferência), Constant - Association pour l'Art et les Médias (vídeo conferência) e Jonathan Beller

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