Rui Chafes

Rui Chafes

Incêndio

Artes › Exposições › Escultura
12 jan a 18 mar/17

Incêndio reúne as mais recentes obras de Rui Chafes. Ao todo, são apresentadas 25 esculturas inéditas, 14 das quais executadas em ferro – série Incêndio - e as restantes onze realizadas em bronze - série É assim que começa….

Acerca destes novos trabalhos, o escultor escreveu: Procuro um espaço, de sombra e vazio, onde não sejam precisas palavras. Aí, onde tu e eu ainda não estamos, falas comigo de uma forma que só para nós faz sentido. Dizes-me, com a tua voz muda, que estou a querer ir onde não posso. Pedes-me para te deixar ir embora, mas acredito que queres ficar (…).

Rui Chafes, de 50 anos, foi galardoado em 2015 com o Prémio Pessoa, em 1995 representou Portugal, juntamente com José Pedro Croft e Pedro Cabrita Reis, na 46.ª Bienal de Veneza e em 2004 participou na 26ª Bienal de S. Paulo, com um projeto conjunto com Vera Mantero. Incêndio pode ser visitada até 18 de março. 

Leia aqui o texto completo que o artista escreveu sobre a exposição:
Procuro um espaço, de sombra e vazio, onde não sejam precisas palavras. Aí, onde tu e eu ainda não estamos, falas comigo de uma forma que só para nós faz sentido. Dizes-me, com a tua voz muda, que estou a querer ir onde não posso. Pedes-me para te deixar ir embora, mas acredito que queres ficar. Vejo-te partir, lentamente, sabendo que nos iremos reencontrar mais adiante, num outro lugar, talvez num outro tempo. A tua mão já não tem força para procurar a minha. Espera por mim, digo-te. Penso que já não me ouves. Todos os dias me aproximo desse espaço, mas ainda não consegui vê-lo claramente. Procuro sempre no teu rosto, suave e quase ausente, o caminho que me queres mostrar. Talvez esse lugar seja uma só palavra. Talvez seja apenas uma palavra de despedida. A cada hora que passa, me sinto mais longe dessa catedral inacabada que são os ossos sob a tua pele, o teu crânio, as órbitas sombrias dos teus olhos tão longínquos dos meus. Dormes na distância, num crescente silêncio. Despedes-te lentamente, irreversivelmente. Dia após dia te vais afastando e tudo escurece e arrefece. Permanentemente faço um esforço para plantar uma floresta dentro dessa tua catedral. Gostava de a ver crescer, ocupar o espaço todo e dar-lhe forma, erguer-se solenemente em direcção ao céu, fazendo-o despertar e florescer as estrelas. Quando, por fim, o delicado e frágil fio de espuma que ainda nos unia se rompe e decides partir, a poeira cinzenta e triste que nos envolvia começa a pousar, revelando as solitárias silhuetas das árvores que se erguem entre as tuas ruínas. A vida é combustão, ficamos sempre com o que nos resta depois do permanente incêndio. "Já não és tu", diremos nós nesse momento. O lugar está em mim. O céu está em ti.

Local

Rua da Manutenção, 80
1900-321 Lisboa

Formulário de procura

Capital IberoAmericana

Continuam

Encontro do Grupo dos Origamigos de Lisboa

Artes › Cursos / Encontros
1º sábado do mês

Cursos Anuais

Artes › Cursos / Encontros
Out/16 a jul/17

LOOPS.LISBOA

Artes › Exposições › Vídeo / Multimédia
7 dez/16 a 22 jan/17